Cronologia

1815 Pobreza e fome na Suíça

O tabuleiro político se reorganiza depois das guerras napoleônicas. O aumento de impostos na França imobiliza comércio e indústria na Suíça. A erupção do vulcão indonésio Tambora altera o clima, provoca enchentes e gera uma crise de abastecimento, resultando em fome e pobreza. A ideia da emigração ganha adeptos.

1817 Gachet negocia com Dom João VI

Nascido em Paris, filho de suíços de Gruyères, Sébastien Nicolas Gachet é um importante protagonista para a ideia de uma colônia suíça além-mar. Com o aval do governo do cantão de Friburgo viaja até o Rio de Janeiro para tentar negociar com o rei Dom João VI e convencê-lo a fundar uma colônia para imigrantes suíços.

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1818 O decreto

No dia 16 de maio de 1818 é assinado o contrato sobre a criação de uma colônia suíça na Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, com cem famílias católicas de Friburgo. Os emigrantes assumiriam a nacionalidade portuguesa e jurariam fidelidade ao rei de Portugal. Cada família receberia uma casa e um lote de terras, além de sementes, gado e financiamento durante os dois primeiros anos.

1819 Primeira emigração transatlântica

Gachet retorna à Suíça e começa a recrutar imigrantes. Vários outros cantões também se interessam. Em vez das cem famílias de Friburgo, mais de 2 mil pessoas dos cantões de Friburgo, Berna e Jura, Valais, Lucerna, Argóvia, Solothurn, Vaud e outros são cadastrados. As famílias de Friburgo, Valais e Vaud se reúnem em Estavayer-le-Lac, às margens do lago de Neuchâtel. Em 4 de julho, após uma missa, recebem o adeus da multidão e descem em três navios de carga até Solothurn e, de lá, até o rio Reno. Basileia, na fronteira com a França e a Alemanha, é o ponto de encontro de todos os colonos que, dali, seguem para a Holanda.

Travessia do Atlântico

Muitos colonos adoecem no acampamento em uma região pantanosa da Holanda. Gachet e seu sócio exigem mais dinheiro para gastos imprevistos, e a irritação cresce entre os colonos. A partida para o Brasil sofre atrasos. Devido às péssimas condições a bordo dos navios Daphné, Urania, Deux Catherines, Debby Elisa, Heureux Voyage, Elisabeth Marie e Camillus, 311 pessoas (15,5%) morrem. Uma oitava nau, a Trajan, leva as bagagens.

Pintura votiva suíça, representando a partida dos friburguenses no lago de Neuchâtel. Imagem gentilmente cedida pelo Museu de Arte e História de Friburgo, Suíça.

Pintura votiva suíça, representando a partida dos friburguenses no lago de Neuchâtel. Imagem gentilmente cedida pelo Museu de Arte e História de Friburgo, Suíça.

100 anos da Sociedade Filantrópica Suíça | Revista Manchete, 02.06.56

100 anos da Sociedade Filantrópica Suíça | Revista Manchete, 02.06.56

1819/1820 Chegada ao Rio de Janeiro

O primeiro navio a chegar é o Daphné, em 14 de novembro de 1819; o último é o Camillus, em fevereiro de 1820. Os doentes são atendidos em tendas. O trajeto para subir a serra até Nova Friburgo é penoso – a cavalo ou em lombo de burros, em carroças ou a pé. Escravos levam crianças, doentes e idosos. Na “terra prometida”, as dificuldades são muitas. Terras difíceis para o plantio, perdas na colheita, mudanças no apoio prometido pelo governo. Tudo isso leva à criação, em maio de 1821, da Sociedade Filantrópica Suíça, para auxiliar os mais necessitados

1958 Embaixada da Suíça no Brasil

A legação é elevada ao status de embaixada e o primeiro titular é Robert Maurice, de Genebra. No lugar da Maison Suisse, na Rua Cândido Mendes, é erguido um prédio de 12 andares, inaugurado em abril de 1956 pelo presidente Juscelino Kubitschek. A embaixada é transferida para Brasília em 1972, doze anos depois da inauguração da nova capital, e o Rio de Janeiro volta a ter um consulado geral.

1970 Sequestro do embaixador Bucher

Durante o regime militar, em 7 de dezembro de 1970, o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher é sequestrado no Rio de Janeiro e trocado por 70 presos políticos.

1994 e 1998 Visitas presidenciais

A primeira visita oficial de um presidente da Confederação Helvética acontece em 1994, com a vinda de Jean Pascal Delamuraz ao Brasil. Quatro anos depois, o presidente Fernando Henrique Cardoso retribui a cortesia.