Colônia Nova Friburgo

Uma das primeiras descrições da área onde se criaria a Vila de Nova Friburgo foi feita em 1809 pelo mineralogista John Mawe, em viagem a Cantagalo para investigar um suposto veio de prata. 

“Esta fazenda, nas mãos de um agricultor experimentado e hábil, poderia produzir resultados maravilhosamente compensadores. O solo é úmido, adaptável ao plantio, não só do milho, como do trigo, cevada, batatas etc., e tão bem irrigado por numerosas correntes provindas das montanhas que as pastagens estão sempre verdejantes. Aqui existem magníficas quedas d’água e a terra é abundante em excelente madeira. Assim, moendas de milho poderiam ser construídas com menor despesa do que a necessária para a compra de moinhos de pedra. Se estivesse ligado à fazenda das freiras mais abaixo, este estabelecimento transformar-se-ia num dos mais completos e lucrativos do Brasil.” 

Fica claro que o acesso à região não era fácil. Acompanhado de um professor de química, Mawe chegou do Rio de Janeiro à Foz do Macacu após ter velejado durante cinco horas. Em seguida, atingiram Porto das Caixas, “lugar muito procurado pelos viajantes do interior por ser o posto onde as mulas descarregam suas cargas oriundas de muitas plantações dos arredores”. 

Após atravessarem um grande pântano, chegaram a uma vila — provavelmente Santo Antônio de Sá. Seguiram a cavalo o leito do Rio Macacu, observando a presença do açúcar ao longo do vale. “As plantações de cana de açúcar e as pastagens estão muito descuidadas. 

A população destes magníficos vales é deploravelmente raquítica e pobre.” 

Para transpor a “grande barreira de montanhas”, passaram por caminhos tão difíceis que foram obrigados a andar mais a pé do que a cavalo. Chegaram à Fazenda do Morro Queimado e receberam do administrador pousada por uma noite.

A temperatura muito fria desaconselhava o plantio de produtos comuns do país, sobretudo banana, café e algodão. Se de um lado as condições climáticas favoreciam a adaptação dos suíços, por outro, a presença da selva era um desafio. “A propriedade é infestada de vez em quando por onças”, relata Mawe. 

O local escolhido, a uma altitude de cerca de 1.000 m, estava imerso na Mata Atlântica, onde a pujança das matas se manifestava em árvores de elevado porte, como o jequitibá. Mawe, em sua curta passagem, identifica algumas: vinhático, cedro, óleo, peroba, cabiúna, jacarandá, jacaratinga, ubatã, palmeiras, grafuana. 

A flora oferecia fibras, ervas, frutos, alimento e medicamento. As águas nutriam aves como o macuco, a saracura, tucanos, sabiás, perdizes, o anu e a corruíra. Antas (daí Córrego D’Antas), onças, veados, macacos, gambás, tatus e capivaras habitavam a região. 

Só se alcançava a futura Nova Friburgo sobrepujando altas montanhas. A região serrana é perpassada por três bacias hidrográficas, em cujos vales se criarão as aglomerações humanas e para onde afluirão os colonos imigrantes de Nova Friburgo: Bengalas, Rio Grande e Macaé. Na vertente norte da cadeia da Serra do Mar nascem os rios Cônego e Santo Antônio, cuja junção forma o Rio Bengalas (provavelmente de São João das Bengalas), ao longo do qual se instalaria a Vila de São João Batista de Nova Friburgo. Encontra o Rio Grande, cujas águas desembocam no Vale do Paraíba. O Vale do Rio Grande configuraria uma direção do povoamento da região, onde rapidamente se criaram fazendas. 

Com seu tino econômico, Sébastien-Nicolas Gachet, representante da Confederação Helvética responsável pela imigração de suíços, vislumbrou ótimas possibilidades para fazendas de criação, para o que já havia uma tradição suíça. Considerou o local adequado para a agricultura, criação e mesmo manufaturas. 

Apesar do difícil acesso, o local funcionaria como um entroncamento absolutamente necessário de vários caminhos, como o que procedia de Minas e que passava por Cantagalo, em direção ao Rio de Janeiro. Caminhos procedentes do Paquequer convergiam também para o sítio onde se instalaria a Vila de Nova Friburgo.