Anton Walter Smetak

Zurique, Suíça
1913–1984

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“Falar sobre música é uma besteira, mas executá-la é uma loucura”, dizia Smetak.

Influenciado pela doutrina esotérica de Helena Blavatsky, ele dizia estar mais interessado no mistério dos sons do que no da música. “Tenho procurado diferenciar claramente o fazer som, um meio de despertar novas faculdades da percepção mental, e o fazer música, apenas um acalento para velhas faculdades da consciência.”

Em 1929, ingressou no Conservatório de Zurique. Continuou seus estudos no Mozarteum de Salzburg e diplomou-se como concertista de violoncelo em Viena. Em 1937, contratado pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre, mudou-se para o Brasil.

Foi professor de violoncelo no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, trabalhou na Sinfônica Brasileira e, em São Paulo, no Teatro Municipal.

 Instrumentos criados por Smetak com materiais como bambu, cabaça e plástico Imagem Correio 24 horas.com.br Imagem por Jorge Baumann - divulgação

Instrumentos criados por Smetak com materiais como bambu, cabaça e plástico
Imagem Correio 24 horas.com.br
Imagem por Jorge Baumann - divulgação

Tornou-se professor da Universidade Federal da Bahia, em 1957. Em Salvador, encontrou espaço para suas experimentações.

Criava novos instrumentos em busca de uma nova música. Nasceram assim as “plásticas sonoras”, instrumentos feitos com cabaças, cordas, tubos de PVC e outros materiais que aproximavam música e artes visuais.

A Tropicália descobriu Smetak. Sua oficina era frequentada por Gilberto Gil, Rogério Duarte, Tom Zé. Caetano Veloso produziu um de seus álbuns.

“Eu costumava chamá-lo carinhosamente de Tak, Tak”, conta Gilberto Gil. “Não só pelo expediente afetivo de abrandar, com um apelido, a suposta/imposta seriedade da relação mestre/discípulo, como pela lembrança que a sua condição de suíço trazia de relógios.”